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Imersos em tecnologias Parte 1/2

A partir do momento longínquo na história da existência do homem em que seu ancestral, provido do intelecto necessário, cartografa a zona em que está e, com suas mãos, manuseia objetos existentes ao seu redor – percebendo que pode utilizá-los empregando-lhes novas configurações para benefício próprio de acordo com sua vontade e necessidade – é elucidado nesse instante a expansão das possibilidades e a atribuição de sentido de instrumento à matéria, abrindo, definitivamente, portas para uma nova Era do desenvolvimento humano.

Esse cenário descrito, e a atitude desse ancestral pré-histórico, fez com que a posição de sua sociedade se convertesse – a medida em que fossem propagadas as habilidades de poder de apropriação de materiais de seu meio, adequando-as à sua vontade – de espectadores para protagonizadores e co-criadores do ambiente no qual encontravam-se inseridos, o que interferiu intrinsecamente no modo de sociedade que experienciavam, bem como em sua dimensão política e cultural.

Observa-se também que as infindáveis possibilidades provenientes das bricolagens de nossos ancestrais podem ser consideras a gênese da transformação da natureza pelo homem, mesmo que o movimento de improviso para adquirir um novo resultado funcional e técnico não utilize necessariamente artefatos materiais, mas também as não palpáveis ondas físicas e sonoras, ao exemplo da comunicação oral inteligentemente apoiada e amplificada entre as paredes dos vales.

“Houve um tempo em que a comunicação a longa distância era o som da voz humana ecoando pelos vales, e a tecnologia mais avançada significava um jeito melhor de lascar a pedra. E o mundo, por mais vasto que fosse, acabava no horizonte, onde a vista alcançava”. (GONTIJO, 2004, p.13)

Nesse contexto comunicacional, é possível realizar que há muito a humanidade se sente compelida a se comunicar com seus semelhantes a fim de propagar e absorver ideias, mesmo à distância. A manipulação dos recursos naturais e sua transformação ao longo da história, aliadas ao desenvolvimento científico, à genialidade e astúcia do homem em desenvolver tecnologias que despertem, gerem e sanem suas necessidades e desejos, contribuíram e continuam a moldar aspectos sociais, políticos, econômicos, culturais e comunicacionais a nível global, principalmente no momento histórico em que nos encontramos: imersos em tecnologias eletrônicas e digitais.

O sociólogo André Lemos afirma que atualmente vivemos a cibercultura, sendo este um contexto cultural repleto de dispositivos eletrônicos e digitais aliadas à dimensão da comunicação, (CULTURA DIGITAL.BR). Lemos, sobre o poder abrangente das tecnologias de informação de comunicação, afirma:

“São tecnologias não apenas da transformação material e energética do mundo, mas que permitem a transformação comunicativa, política, social e cultural efetivamente. Porque nós conseguimos transitar informação, bens simbólicos, não materiais, de uma maneira inédita na historia da humanidade”. (CULTURA DIGITAL.BR, 2009, p. 136).

Compartilhar informações é um ato que remonta aos príncipios da civilização de nosso planeta, desde a Suméria – e suas tábuas de argila com escritos cuneiformes, datadas de aproximadamente 5 mil a.C. -, passando pelo pioneirismo da imprensa na Europa realizado por Johann Gutemberg no século XV d.C.

É possível remontar à introdução das primeiras tecnologias de comunicação, e perceber que o  registro, armazenamento e transferência de dados informacionais através do espaço entre dois pontos, ou mais, é a sua essência. Ao exemplo do telégrafo do século XIX, que já permitia a troca de informações impressas, o rádio e o telefone, pela primeira vez na história, possibilitou a transmissão da voz humana a longas distâncias.

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