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40 dias em Mata Negra

Rodado ao longo de 40 dias na área rural de Guarapari, Mata Negra é o quinto longa do cineasta Rodrigo Aragão. O filme é a continuação de Mar Negro (2013) e conta a história da jovem Clara (Caroline Aragão) vivendo as suas primeiras desventuras da vida após ser adotada pelo curandeiro Pai Pedro (Markus Konká).

Nesse post vamos contar um pouco como foi a concepção fotográfica do filme e um pouco do nosso processo. Em Mata Negra tínhamos um grande desafio pela frente: Pela primeira vez Rodrigo ao longo dos seus mais de 20 anos de carreira como cineasta é contemplado em um edital nacional, e tem a oportunidade de fazer um filme com maior qualidade, ou como ele mesmo diz “dentro do padrão”. Caímos dentro desse universo sanguinolento e confiamos na visão do diretor para dar vida imagética à sua obra.

A relação do Expurgação com Rodrigo Aragão estabeleceu-se no filme Mar Negro, em que foram trabalhadas as funções de Edição de Som, Mixagem (Felipe Mattar e Alexandre Barcelos e Trilha Incidental (Francisco Neto e Alexandre Barcelos). O trabalho continuou pela antologia Fábulas Negras (2015) que é uma série de histórias sobre o folclore brasileiro. Em três curtas da antologia Alexandre Barcelos fez a direção de fotografia:  Loira do Banheiro de Joel Caetano, Monstro do Esgoto e Casa de Iara de Rodrigo Aragão.Trabalharam também ao longo do Fábulas Negras Fepaschoal (Som Direto e Trilha Sonora), Arthur Navarro (Edição de Som) e Felipe Mattar (Edição de Som e Mixagem).

Para o Mata Negra Alexandre Barcelos e Francisco Neto ficaram responsáveis pela Direção de Fotografia do filme, Felipe Mattar na Edição de Som e Alexandre Barcelos para a Mixagem e Desenho de Som.

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Rodrigo Aragão e seu Lobisomen
O diretor José Mujica Marins, o Zé do Caixão, junto com Alexandre Barcelos e Fepaschoal.

Fepaschoal, José Mujica Marins (Zé do Caixão) e Alexandre Barcelos durante as filmagens do curta “Saci” da antologia Fábulas Negras.

Tivemos a oportunidade de fazer uma visita técnica ao set para conhecer o cenário concebido pelo artista sergipano Eduardo Cardenas e montado pelo maquinista, mateiro, assistente de elétrica,”faz tudo incrível” Alzir Vaillant, que construiu uma cabana com tanto esmero que parecia que havia anos que ela estava ali. Ele teve cuidado até de colocar os cupins no lugar.

Rodrigo também teve a esperteza de montar os cenários e locações tudo bem próximo um do outro, evitando grandes deslocamentos. Dessa forma seu sítio transformou-se em um mini projac à sua disposição.

Na nossa visita técnica testamos como os mandraques naturais da cabana funcionariam e os horários propícios para filmar. Também demos umas voltas pelas trilhas e outros possíveis lugares de filmagem. Realizamos um único pré-light onde testamos algumas luzes penduradas em árvores e se a energia disponível no local aguentaria nossos refletores. Tudo OK e “vamo filmar porque isso que é bonito!”

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Pré-light na cabana – Foto: Rodrigo Aragão

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Alexandre Barcelos e Rodrigo Aragão acendendo o fogão à lenha da cabana para desenhar os raios de luz. – Foto: Francisco Neto

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Testes de raios – Foto: Francisco Neto

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Mandraques da cabana

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No set tudo girava em torno da visão de Rodrigo sobre o filme. Então nós o acompanhávamos o máximo que podíamos tentando extrair todas as informações necessárias pra afinarmos o maquinário, câmera e as luzes. Joel Caetano era seu assistente e muitas vezes nos ajudou a interpretar a mente do diretor.

Usamos algumas soluções utilizando as árvores para pendurar refletores e difusores para deixar a área livre para enquadrar. Isso era muito importante para o processo do diretor, pois o filme tinha muitas cenas com efeitos especiais e era necessário rodar  com certa agilidade. Então um tripé ou uma bandeira no meio do caminho não era muito conveniente.

Procuramos trabalhar com contrastes numa relação de que variava de 4:1 a 8:1, explorando áreas escuras e subexpostas do quadro. Não havia uma regra, mas esse era o clima que procurávamos para um filme de terror que ao mesmo tempo é fantástico.

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Esquema de rebatimento em butterfly 3x3m

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Esquema com difusor preso na árvore.

Utilizamos para o filme duas Red Scarlet-X. Muitas cenas tiveram que ser filmadas com duas câmeras com o intuito de ganhar agilidade no set e porque algumas ações eram quase impossíveis de repetir devido à complexidade dos efeitos especiais, arte que Rodrigo Aragão é um grande mestre. Já havíamos trabalhado com a Red em outros filmes, e o que sempre me agradou nela é sua robustez e seus arquivos raw que são ótimos para trabalhar na pós.

O jogo de lentes usado foi o Canon Cine Prime (14mm T3.1, 24mm T1.7, 35mm T1.5, 50mm T1.2, 85mm T1.4, 135mm T2) que têm uma suavidade maravilhosa. Elas ajudaram a amenizar os contrastes e elevar pequenas nuances de áreas escuras por terem um diafragma bem aberto. Também utilizamos algumas objetivas zoom Canon Prime 16-35mm, 24-70mm e 70-200mm, todas f2.8 que eram do Pedro Medeiros (Vulgo Mossoró) que estava fazendo o making off do filme e nos emprestou. Um salve pra você Mossoró! Essas lentes apesar de serem still, se comportaram muito bem e em alguns momentos utilizamos o zoom delas para atingir efeitos ópticos. Tudo à favor da narrativa.

Compondo nossa equipe de foto tínhamos os assistentes Pedro Monteiro (1° Assistente, Foquista e Operador de Steady Cam) e Syã Fonseca (2° Assistente e Video Assist.), Carlos Chacal (Chefe de Elétrica e Maquinária), Rafael Kuster (1° Assistente de Elétrica) e Alzir Vaillant (2° Assistente de Maquinária).

Mata Negra têm previsão de lançamento para o final de Outubro. Aguardamos ansiosamente para vê-lo na telona.

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Alexandre Barcelos conferindo o plano com Rodrigo Aragão e o Assistente de Direção Joel Caetano. – Foto: Pedro Medeiros

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A equipe de foto com o ator Jackson Antunes – Foto: Pedro Medeiros

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Alexandre Barcelos enterrado no caixão – Foto: Rodrigo Aragão

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Travelling in na Cabana – Foto: Pedro Medeiros

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Cemitério – Foto: Pedro Medeiros

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Jackson Antunes contracenando com a Atriz e Produtora Executiva Mayra Alarcón – Foto: Pedro Medeiros

 

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Ressuscitamos um HMI de 1963!

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Luz produzida pelo HMI de 1963!

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Luzes e bandeiras presas nas vigas da casa para liberar espaço e limpar o quadro.

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Travelling in no galinheiro – Foto: Pedro Medeiros

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Apocalipse now! – Foto: Pedro Medeiros

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Encerramento das Filmagens! – Foto: Pedro Medeiros

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