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Poesia Visual Futurista

O Futurismo Italiano foi o primeiro movimento da arte moderna que conseguiu resumir as expectativas européias sobre a transformação industrial do continente, integrando a pintura, a música e a arquitetura em um único plano artístico.

Sendo assim, muitos significados do movimento foram baseados em eventos que indicavam a chegada de um novo tempo, como por exemplo, as guerras e a velocidade das mudanças urbanas e sociais. A transformação futurista do universo também era um reflexo da importância dos meios de comunicação de massa que se estabeleceram como comunicadores oficiais do governo, da burguesia e dos grupos de intelectuais.

Jornal Le Figaro, França, 1909

O volume e a diversidade de informações consumidas pelo homem também foram tema do movimento que criou uma nova estética para poesia, através da assimilação de recortes da linguagem verbal e convenções normativas. Sendo assim, o futurismo literalmente retomou a criação poética quebrando o estigma figurativo do poema e rompendo com a tradição do verso. A apresentação da proposta futurista aconteceu através do Manifesto Futurista do poeta Filippo Marinetti, publicado no jornal francês Le Figaro em 20 de fevereiro de 1909 – impressos periódicos eram o principal meio de difusão dos ideais da vanguarda.

Marinetti, manifesto

Para explorar o aspecto lúdico proporcionado pela comunicação voltada para a massa, o movimento tentou abandonar toda distinção que havia entre arte, design e poesia, a fim de que surgissem linguagens dinâmicas e universais.

Perseguição, Carlo Carrà, 1914

Nos domínios da pintura, os futuristas empregaram formas verbais em suas obras de arte, mas não tiveram nenhuma intenção narrativa ou desejaram passar uma seqüência lógica entre os grafismos empregados. Preocuparam-se apenas com o efeito plástico dos elementos verbais, assim como os cubistas, que empregaram elementos gráficos na pintura com a intenção de se aproximarem da realidade.

Marinetti, textura do texto

Nos domínios da poesia visual os futuristas manipularam a forma do texto em função do espaço da página criando composições com a forma dos elementos verbais, aproveitando a característica de cada letra (as curvas do S, os ângulos do M). Os poetas buscavam o equilíbrio da composição do poema geometricamente, através da sugestão de linhas e figuras geométricas básicas. O movimento cujo slogan destaca: les mots en liberté, ou seja, liberdade para as palavras, priorizou o verso livre para ampliar exponencialmente os limites do poema, sendo assim, multiplicou os sentidos de leitura da obra. Regras permutativas funcionavam como uma engrenagem entre os blocos de elementos do poema, através da ocupação visual completa do suporte, da sobreposição e da disposição desorientada dos signos verbais. Conseqüentemente, a coesão passou a acompanhar mais a leitura visual do que a leitura verbal, criando sentidos vagos e pragmáticos. Marinetti tentou desaparecer com as formas convencionais das artes tipográficas vigentes. Para tanto, empregou a escrita vernacular e onomatopéias próximas a efeitos gráficos de composição, criando relação entre som e imagem. Além disso, utilizou imagens e formas figurativas dentro do poema. “O tempo e o espaço morreram ontem. Os elementos essenciais da nossa arte serão a coragem, a ousadia, a revolta”, esboçou Marinetti.

Futurismo Russo

O Futurismo Italiano se diferenciou em outro movimento de vanguarda chamado Futurismo Russo, em 1912. Porém, O Futurismo Russo é mais um termo usado para um movimento análogo ao Futurismo Italiano que se consolidou como um movimento heterogêneo essencialmente literário, comprometido com um poema geométrico e analítico. O poeta Vladimir Maiakovski foi o principal futurista russo, reconhecido por comunicar o individualismo e o valor da intuição nas experiências transcendentais. A partir de 1915, o Suprematismo de Kasimir Malevitch e o Construtivismo de Vladimir Tatlin formaram as duas principais correntes ideológicas da arte russa. O poeta e escritor Nicolai Asseiev figura como o grande representante do estilo construtivista.

Poema Aleatório dadaísta, 1922

Antes do Futurismo se dissolver em virtude da Primeira Guerra Mundial e da morte do futurista Umberto Boccioni, em 1916, ainda houve tempo para o movimento se expressar nas artes cênicas por meio do teatro sintético futurista, em 1915. Também houve tempo para o cinema, que era visto pelos futuristas como a melhor forma de expressão plural e sinestésica do universo artístico. Por fim, enquanto o movimento futurista desaparecia a vanguarda dadaísta ganhava força. Com a proposta de desmanchar completamente a linguagem e a ordem, o Dadaísmo instaurou a estética do caos fundindo elementos verbais e visuais – o poema aleatório e o ready made.

Graças ao olhar Oswald de Andrade, que viajou para a Europa em busca de inovação, em 1912, o Brasil pode aproximar-se do pensamento futurista e das vanguardas européias que representavam a cultura moderna e dominante. Essa iniciativa resultou na criação do Movimento Modernista que, mais tarde, influenciou o Concretismo, primeiro movimento brasileiro da poesia visual.

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