E você sai caminhando em dia vermelho: Exposição de Polliana Dalla

Polliana Dalla é uma jovem artista que parece aliar, em seus trabalhos, um grande cuidado e um certo senso de aventura. Estes dois aspectos se evidenciam em sua primeira individual, “E você sai caminhando em dia vermelho”, resultado de um projeto de que tem se ocupado desde 2011.

Numa caminhada por aproximandamente 65 km de Domingos Martins a Santa Leopoldina, Polliana Dalla buscou reviver memórias ligadas a esta região, onde estivera muitas vezes com sua família. Andar a pé por lugares que só tinha conhecido por intermédio de uma máquina — um carro — conformou sua experiência visual de modo diverso de suas lembranças de até então. Também foi diferente o ritmo vivido durante o percurso, já que, segundo a artista, “o ritmo era o do meu corpo agindo na paisagem, juntamente com as interferências físicas que deixei pelo caminho”.

fim  (Polliana Dalla)

fim (Polliana Dalla)

Para a viagem Polliana Dalla preparou nove caixas de acrílico com palavras e expressões pertinentes a suas lembranças. Enquanto andava, deixou cada caixa em um local da caminhada; foi uma forma de materializar suas memórias e devolvê-las a seu local de origem. A presença dessas caixas é, contudo, efêmera, pois estão sujeitas à ação do tempo e do homem. Ainda assim, a artista não considera que suas memórias tenham se perdido, ao contrário: escrevê-las e colocá-las nas caixinhas foi uma forma de renovar esse laço com a memória. O simples ato de pensar sobre elas já lhes dá mais alguns anos de vida.

Quando se reencontra lugares queridos e caminhos já percorridos o que se encontra não é mais o que já foi. Mas não se trata de lamentar a mudança ou da pura vontade de voltar ao passado; como na obra de Marcel Proust, em que se ficcionaliza a memória, o trabalho de Polliana Dalla se interessa mais por “aquilo que se vive enquanto se lembra”.

“E você sai caminhando em dia vermelho” tem, segundo Polliana Dalla, três pilares de sustentação: memória; deslocamento/caminhar; literatura/texto. Certas leituras — outras possibilidades de deslocamento — foram fundamentais para o trabalho: obras de Cervantes, Proust, Cortázar, Bolaño, além das 1001 Noites e de outros “textos bonitos” encontrados pela artista.

Terremotos (Polliana Dalla)

Todos os pilares se articulam, enfim, em seus desenhos: “a forma mais sincera de materializar meu pensamento”, ela diz. Seus traços são tão delicados e discretos como tudo o mais a que se dedica; os 28 desenhos escolhidos para a exposição se deslocam em composições de grandes espaços em branco e tímidas manifestações de cor, e se combinam para recontar as narrativas que Polliana Dalla encontra — inventa — em sua rotina diária.

A partir do dia 03 de agosto, a exposição “e você sai caminhando em dia vermelho”, da artista Polliana Dalla, ocupará a Galeria Homero Massena, localizada na Cidade Alta,em Vitória. A entrada é gratuita, e a mostra permanecerá em cartaz até 14 de setembro. A abertura será realizada no dia 02 de agosto, quinta-feira, às 19 horas.

texto por Rafael Trindade

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