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Compre o Modelo e leve a série

Bernd Lobach e Gui Bonsiepe são designers reconhecidos por suas teorias que consagraram a atividade do design como imprescindível na era industrial. Embora Gui Bonsiepe seja contemporâneo de Bernd Lobach, ambos concordaram em separar o produto conceitual, que prima pela ação comunicativa, do produto material voltado para a ação instrumental.

Esses produtos são parte do mesmo produto criativo final, que recebe o tratamento publicitário para representar um super modelo que exalta as características do objeto de consumo.

Jean Baudrillard (1968) tratou dessa questão criando o estatuto do objeto moderno, que atribui à publicidade o papel de cuidar da relação do modelo de um produto com as séries comercializadas.

O que é ofertado pelo mercado é um objeto perfeito, um modelo com propriedades únicas e fantásticas. Contudo, o que se adquire é uma cópia desse modelo. Há uma relação de déficit técnico e de estilo entre o modelo e a série, impercebível pelas largas camadas da sociedade que se ligam psicologicamente ao modelo, mas que na realidade utilizam de objetos de série.

Jean Baudrillard entende que o modelo e a série estão envolvidos num mesmo ícone de produto. Esse paradoxo, que oscila entre o modelo e a série também pode ser percebido em outro nível, através do lançamento de artefatos semelhantes dirigidos à mesma ação efetiva, mas de marca e valores diferentes, relativos a cada nicho de mercado (produto classe A, produto classe D).

Sendo assim, o sistema dos objetos criados pela indústria converte cada indivíduo ao código do standing, ou seja, as pessoas são estereotipadas de acordo com a envergadura do valor de marca dos objetos que consomem.

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