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Variáveis da Linguagem

Trabalhando as linguagens o homem diversifica, compreende e aprimora as formas de comunicação e conseqüentemente de aprendizado. Ângelo Pinto e Décio Pignatari apresentaram uma versão para a dimensão da linguagem no jornal Correio da Manhã em 1964: “Nessa definição, enquadram-se não só todos os idiomas como também qualquer processo de sinalização de tráfego (rodoviário, marítimo, aéreo, espacial); linguagens de esquemas e diagramas  

(diagramas de bloco, diagrama de Venn etc.); linguagens de computadores; linguagem matemática e de lógica simbólica; linguagens audiovisuais, como o cinema etc.”

São muitas as linguagens criadas pelo homem, algumas bem definidas como as línguas ou idiomas, e outras híbridas como o cinema. Ainda assim devemos considerar que as variedades lingüísticas e os dialetos são linguagens dentro da língua, portanto, linguagens dentro da linguagem (metalinguagem), uma vez que a língua tem formas de retórica e expressão que não podem ser ignorados. De acordo com o livro do professor e doutor Luiz C. Traváglia: Gramática e Interação, publicado em 1997, a linguagem admite três concepções distintas que esclarecem os domínios da linguagem em relação à atividade comunicativa que dá sentido ao discurso de interlocução. Particularmente prefiro chamá-las de dimensões da linguagem porque se manifestam combinatoriamente em etapas. Segundo Traváglia (1997), linguagem como expressão ou elaboração do pensamento (letramento), linguagem como instrumento de comunicação possibilitado pela elucidação de um sistema de signos e regras reconhecíveis (estruturalismo), e linguagem como forma ou processo de interação entre indivíduos (análise de discurso).

Enquanto lingüistas compreendem o processo de comunicação em uma composição de seis elementos: emissor, receptor, mensagem, código, contexto e contato, designers orientados pelo diagrama ontológico do Design, apresentado pelo teórico Gui Bonsiepe em 1997, pensam em uma interface que estrutura a interação entre o corpo, a ferramenta e o objetivo da ação. Essas duas formas distintas de se pensar o processo de comunicação, uma voltada para a linguagem verbal e a outra para a linguagem visual, buscam projetar mensagens potencialmente compreensíveis, que superam a barreira do “outro”, do coletivo, de acordo com o aspecto híbrido da comunicação hiper-moderna.

De outra forma, através da semiótica, ciência elaborada pelo filósofo e matemático Charles Sanders Peirce, conseguimos sistematizar a linguagem observando o fenômeno que compreende o conjunto dos signos e o modo como os utilizamos. O signo seria compreendido por: significante, veículo do significado (parte perceptível, sensível), e significado, o que se entende quando se usa o signo (parte inteligível). Segundo Peirce apud Silva (2000), a semiótica é constituída em três níveis: o sintático, o semântico e o pragmático: o primeiro revela a relação que o signo tem com o seu interpretante, o segundo diz respeito à relação existente entre o signo e o seu referente (objeto) e o último se importa com a relação do signo com ele mesmo e com outros signos.

Sendo assim, o signo e a linguagem se equivaleriam, e a escrita, a fala e o visual seriam os objetos pelos quais o homem interpreta a linguagem. Nesse sentido podemos entender que a linguagem oferece os elementos primordiais que podem ser transformados e categorizados como signos representativos de uma cultura. Portanto, as relações do significante com o significado dependem de muitas variáveis da consciência. Segundo Pignatari e Pinto (1964): “entendemos por linguagem qualquer conjunto de signos e o modo de usá-los, isto é, o modo de relacioná-los entre si (sintaxe) e com referentes (semântica) por algum intérprete (pragmática)”.

Décio Pignatari (1995), apoiado pelos estudos da fenomenologia de Pierce, fez observações relevantes quanto ao uso da linguagem para o aprendizado, que pode ser entendida como signagem, ao passo que a textualidade literária pode ser entendida como signicidade. Sendo assim, consensos enganados que foram assimilados para a invenção de uma realidade distinta e romântica são simbolicamente identificados e confrontados pelo sistema dos signos. No livro “Semiótica da Arte e da Arquitetura”, Pignatari lembra os enganos historicistas que tangenciam conclusões hegelianas que consideraram a arte clássica grega pura e branca, ao contrário do fato de a estatuária e a arquitetura grega terem sido policromas (vermelho, azul e ouro).

Por fim, a comunicação de uma consciência cristaliza um perfil comunicador que distingue as coisas entre si, de forma que transmite à linguagem verbal a mesma relevância que a manifestação comunicadora das imagens, dos esquemas, da paralinguística e até mesmo das dimensões mais sensíveis, como por exemplo, a dimensão do sonho e a dimensão dos campos morfogenéticos.

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