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PUBLICIDADE E DESIGN PARTE1/2

A publicidade é uma atividade profissional que difunde informações relativas à promoção de uma representação. Segundo Jean Baudrillard (2000, p.173), “o objeto é vendido mas a publicidade lhe é ofertada”. O resultado dessa eventualidade é a imagem publicitária, que se caracteriza por criar significados qualitativos e quantitativos implícitos no visual e no conteúdo de um objeto de consumo. A imagem publicitária se relaciona com a cultura e com o poder de compra proporcionado pelo trabalho realizado dentro de uma sociedade.

“Como a publicidade não é um fenômeno suplementar ao sistema dos objetos, não se poderia isolá-la, tampouco restringi-la a sua justa medida (uma publicidade de informação estrita)” (BAUDRILLARD. 2000, p.173).

A imagem publicitária é formada pela linguagem de consumo, que por sua vez é difundida através dos meios de comunicação de massa. Por isso a publicidade se integra com o mercado comunicando valores e determinando grupos de consumidores. Ela é a mediadora dos motivos que incentivam as relações de consumo. O publicitário é parte da cadeia promocional corporativa que combina ações com o designer e com o profissional de marketing. Enquanto o designer elabora o projeto pensando a interface, o publicitário constitui razões para o seu consumo, potencializando o discurso da posse do artefato comunicativo e instrumental.

“a publicidade constituirá o objeto ideal e revelador desse sistema de objetos. Porque se designa a si própria como todos os sistemas fortemente conotados, é ela que nos dirá o que consumimos através dos objetos” (BAUDRILLARD. 2000, p.174).

Portanto, a publicidade ultrapassa os conceitos elaborados pelo Design porque influencia o mercado com excessivos indicativos de valor fortemente conotados, criando sensações de afetividade no consumidor que vão além das pretendidas pelo designer. Promover a venda de um objeto de consumo exige que a ação efetiva dele, (coisa mais fundamental para a ordem da sociedade global), seja extrapolada pelo álibi da formulação de multi-características fantásticas, que o diferencia dos demais objetos. Sendo assim, a publicidade trata de personalizar objetos que, associados às pessoas, constituem uma nova re-significação das características individuais.

“Na nossa economia fortemente competitiva, poucos produtos conservam por longo tempo uma superioridade técnica. É preciso lhes dar ressonâncias que o individualizem, dotar-lhes de associações e de imagens, dar-lhes significações em numerosos níveis, se quisermos que se vendam bem e suscitem apegos afetivos expressos pela fidelidade a uma marca” (MARTINEAU, op. Cit. p.75).

Atualmente esse fato determina o sucesso industrial que dissemina o desejo de posse e a inversão dos valores culturais em favor da hiperpersonalização. Assim, os processos mais sensíveis que se espelham na co-responsabilidade socio-ambiental das indústrias, dos governos e do próprio cidadão comum são soterrados pelo utilitarismo logicamente justificado. 

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