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Maya, Chichen-Itza, Kukulcan, Equinócios, Solstícios, Calendários, etc.

Os Mayas localizavam-se, segundo estudos arqueológicos, na porção de terras que hoje equivalem a Mesoamérica. Há  sítios na Península de Yucatán, no México, mais especificamente nos Estados de Quintana Roo, Yucatán, Campeche, Chiapas e Tabasco, além das terras baixas e altas da Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador.

A sociedade Maya era basicamente uma sociedade agrícola, assim como todas as outras que floresceram antes da Era Industrial, exceto pelos esquimós, já estes, apenas caçavam para obter seu sustento. Era de costume deste povo antigo, a tradicional observação minuciosa do comportamento das estações do ano, as variações das trajetórias da Terra ao redor do Sol, e outros corpos celestes. A rota do planeta Vênus também era mirada. Conhecida como Estrela D’Alva, o planeta Vênus é o terceiro maior e mais luminoso objeto do céu, sendo superado apenas pelo Sol e a Lua.

São incontestáveis os profundos conhecimentos deste povo milenar. Desde a agricultura, armazenamento de água através de açudes e cenotes, geometria, matemática, astronomia, astrologia, engenharia, acústica, e também outras áreas do conhecimento que abrangem as instâncias mais sutis da conciência. O Templo de Kukulcan é o cinzelamento destes conhecimentos convergidos em uma edificação – e não há como saber quem depositou a pedra angular.

O Templo de Kukulcan

Este monumento piramidal  é feito basicamente de calcário com água, material que compõe grande parte do solo da região. Assim como todas as outras construções megalíticas dos Maya, esta foi construída sem a utilização do ferro, material este desconhecido para eles. O solo de calcário, de caráter poroso, também possibilita a formação de cenotes, que são poços, ou cavernas subterrâneas que acumulam água potável, que também flui do lençol freático e se encontram nestes poços. O cenote é uma das principais razões pelos Maya terem florescido nas florestas de Yucatan, sem a necessidade de terem rios ao redor, como a maioria das civilizações antigas, contemporâneas, e provavelmente as do futuro também.

El Castillo, como foi re-nomeada pelos colonizadores espanhóis, é localizado em Chichen-Itza, no estado de Yucatan, no México. Chichen-Itza significa na raiz Maya ‘na beira do poço do povo Itza’. Então seriam os Mayas, o povo Itzas? Estima-se que Chichen-Itza foi fundada por volta dos anos 435 e 455 d.C. A etimologia do nome original do templo da-se nos significados de ‘Kukul’, sagrado ou divino, e ‘can’, serpente.

Kukulcan é a serpente emplumada voadora sagrada para os Mayas – assim como Quetzalcoatl é a serpente emplumada voadora para os Astecas – e ambas são inspiradas no pássaro Quetzal, comum nessas regiões. Porém a origem de um Deus tido como serpente emplumada é muito anterior aos Mayas ou Astecas e também está presente em toda a Mesoamérica. A origem deste simbolismo da serpente emplumada pode tanto ser proveniente da cultura Olmeca, como também dos Toltecas.

Calendários, Solstícios e Equinócios

O Templo de Kukulcan é um calendário em pedra que também marca os solstícios e equinócios, datas muito importantes para os ciclos agrícolas.

A Pirâmide de Kukulcan tem quatro lados, quatro escadarias, cada uma delas com 91 degraus, que totalizam 364, e somados ao templo do topo, comum às quatro escadas, totalizam 365 unidades que representam os dias do Haab – um dos três calendários que segundo os Mayas eram necessários para prosperar, e florescer nesta área do universo, mais especificamente neste planeta.

No equinócio da primavera (outono no hemisfério sul) acontecem fenômenos naturais de luz e sombra que somente são possíveis devido ao preciso alinhamento da construção da pirâmide com o Sol, e porque não dizer para com o Universo.

descidadekukulcan

Equinócios

Na passagem equinocial é observado um fenômeno de luz e sombra na fachada da escadaria NNE (nor-nordeste) conhecido como ‘A descida de Kukulcan’. Este fenômeno acontece, pois a luz do sol passa pela fachada NO (noroeste), e é filtrada pelos 9 patamares.

Assim sendo, 7 triângulos de luz são projetados entre os degraus e forma-se um corpo de uma serpente, que se completa e compõe com a cabeça, feita a pedra, que ornamenta os primeiros degraus da(s) escadaria(s).

A sombra formada mede 33 metros. Este fenômeno também pode acontecer à noite, se a órbita da Lua encontrar-se na mesma posição equinocial do Sol, ao longo da eclíptica.

Nessas circunstâncias, a serpente emplumada seria projetada pela luz da Lua no balaustre da escadaria a NNE. Devido às fachadas SSO (su-sudoeste) e ESE (és-sudoeste) estarem desgastadas, não é observado fenômenos de luz e sombra nos amanheceres equinociais, mas é possível que se restauradas por completo, as fachadas e degraus, as escadarias e os 9 patamares, poderia ser mirado o dito efeito do corpo da serpente na fachada SSO.

Solstícios

No solstício de Junho (Verão, no hemisfério Norte), mais precisamente nos primeiros minutos do amanhecer, as faces NNE (nor-nordeste) e SSE (su-sudeste) são iluminadas pelo sol, enquanto as faces ONO (oés-noroeste) e SSO (su-sudoeste) continuam obscuras. Já no solstício de Dezembro (Inverno) acontece o inverso, durante o entardecer as faces ONO e SSO são iluminadas, e as faces NNE e SSE ficam obscuras. Estes acontecimentos marcam os exatos momentos dos solstícios.

Tempo cíclico

Estamos habituados a seguir o tempo conforme o calendário que utilizamos, e a enxergamos o tempo como uma dimensão linear, onde geralmente essas marcações de tempo são os dias, os meses, as luas e o ano, segundo o Calendário Gregoriano. Ciclos um pouco maiores também fazem parte de nossas vidas, como o de quatro em quatro anos da Copa do Mundo, ou das Olimpíadas. Porém os Mayas enxergavam o tempo e entendendiam ele de forma cíclica, fractal, como padrões que se repetem.

Também existem ciclos maiores, com os quais não somos habituados, como o do mais longo eclipse solar do milênio, ocorrido no dia 14/01/2010, que durou 11 minutos e 8 segunos, e só se repetirá novamente em 3043. O objeto voador identificado como Cometa Halley, que também orbita nosso Sol, e é visível no céu a cada 76 anos, quando retorna as regiões interiores do Sistema Solar.

Os Mayas, sendo estes Guardiões de Dias, contavam o que podemos chamar de micro-ciclos, como os dias, meses, anos, assim como também macro-ciclos, como dos movimentos de Vênus, e das passagens das ditas Eras, a cada aproximados 5.125 anos, assim como o movimento precessional – este com um ciclo de aproximados 26.000 anos. Major Jenkins, autor do livro Maya Cosmogenesis 2012, entre outros livros, tem uma teoria sobre a Pirâmide de Kukulcan, onde a analisa como um relógio-despertador-precessional.

Haab, o Calendário Solar

O Haab possui 18 meses (ou uinais) de 20 dias (ou kines) cada. O total de dias desse calendário é de 360 dias – resultado da multiplicação de 18 x 20. Há também um décimo nono mês, de apenas 5 dias, chamado Wayeb, totalizando o movimento de 365 dias do planeta Terra ao redor do Sol – a translação.

Tun-Uc, o Calendário Lunar
O Tun-Uc é um calendário lunar e marca as fases da lua. As fases da lua possuem um ciclo de 28 dias e quatro subciclos menores de sete dias. Este ciclo de 28 dias também está sincronizado com ciclos femininos de menstruação e gestação. Os Hindus, assim como os Mayas, tem um calendário lunar de 28 dias, onde há 28 fases da lua.

Tzolkin, o Calendário Sagrado

O Tzolkin possui 13 meses de 20 dias cada, totalizando 260 dias. Os ciclos do Tzolkin e do Haab funcionam como duas engrenagens, ou rodas calendáricas, de tal maneira que a combinação dos dois se repetem apenas a cada 18.980 dias (mínimo múltiplo comum de 260 e 365), o que equivale a 52 anos.

No ciclo de 52 anos se completa e inicia o ciclo de combinação entre o Haab e Tzolkin. O número 52 também é representado nas faces que se alinham com os pontos cardeais em forma de revelo em pedra. Segundo o Popul Vuh, equivalente á Bíblia Cristã, 52 anos é o ciclo de destruição e reconstrução do mundo. Para os Hindus, 52 é o tempo que se leva para atingir a Kundalini através da pratica de meditações e técnicas do Yoga.

Teoria do relógio-despertador-precessiona

Quando os povos Tolteca se mudaram para Chichen Itza, eles uniram, fundiram, absorveram e consolidaram sua cosmologia baseada no zênite, jutno ao sistema Maya, e o resultado desta fermentação foi a Pirâmide de Kukulcan.

Muitos acreditam que esta foi projetada e edificada para que todo ano, no equinócio da primaveira, o sol da tarde cause um fenômeno com a sombra: a aparição que uma grande serpente, que simbolicamente desce do céu em direção ao chão.

Este fenômeno realmente acontece, como citado anteriormente. Mas, de qualquer forma, John Major Jenkins tem um ponto de vista que vai além, e mostra que a pirâmide é muito mais do que um indicador de equinócios e solstícios. Ela seria um relógio precessional com seu alarme marcado para o século vinte e um – mais precisamente para o ano de 2012.

Conspirações e perspectivas apocalípticas à parte, a precessão dos equinócios é um fato e realmente tem data marcada, 21 de Dezembro de 2012, dia em que o Sol nascerá precisamente alinhado ao centro da Via-Láctea. Este alinhamento vem acontecendo desde 1996, mas o alinhamento total acontecerá no solstício de inverno (verão no hemisfério sul) do ano de 2012.

Jenkins diz que Kukulcan (ou Quetzalcoatl, a serpente emplumada), era símbolo de uma conjunção envolvendo o Sol, as Plêiades (constelação), e o zênite (ponto superior da esfera celeste). Exatamente 60 dias depois do equinócio da primavera, no dia 20 de Maio, a passagem do zênite toma seu lugar sobre Chichen-Itza.

A serpente cascavel Crotalus, cujo padrão é constantemente utilizado na arte mesoamericana, tem uma marca que é idêntica ao glifo solar ‘Ahau’ dos Maya, e o seu chocalho era chamado ‘tzab’, é a mesma palavra usada para o grupo estelar das Plêiades.

Muitos povos da região onde floresceram os Mayas ainda são habituados e seguem os calendários de seus ancestrais, seus micro-ciclos, bem como os macro-ciclos.

Acústica

No templo de Kukulcan (Quetzalcoalt), em frente a escadaria NNE, é possível ouvir um efeito acústico que é produzido quando se bate palmas de frente para a escadaria. As ondas sonoras ‘sobem’ as escadas, e quando chegam ao topo da pirâmide, ressoa um eco distorcido, que pode ser ouvido na pirâmide e de todo o pátio ao redor.

Este eco distorcido remete ao canto de um Quetzal, uma espécie de pássaro que vive na região, sendo a reprodução proposital deste canto. Este tipo de efeito pode ter sido utilizado para chamar a atenção dos demais da região em momentos de urgência.

Do alto do Templo, este efeito era utilizado para a elite sacedortal se comunicar com o povo que estava no pátio ao redor.

Efeitos acústicos também são encontrados nos campos de Jogo de Bola dos Mayas. Este jogo de bolas era um pouco diferente do futebol que conhecemos. O objetivo do jogo era acertar a bola em um aro suspenso no alto das paredes do corredor que formam o campo, podendo apenas rebater a bola com o quadril, e o time que perdesse teria de ser sacrificado.

Esses efeitos datam de 864 anos atrás, o que no mínimo é muito curioso. Os efeitos encontrados nesses campos também são muito peculiares, embora alguns soem familiares por já terem sido utilizados em designs de monumentos contemporâneos – ao exemplo da propagação amplificada da respiração e sussuros.

O que é muito peculiar é o efeito de delay que acontece.

É um delay perfeito, um atraso no som atraso, um eco perfeito que se repete, seu volume gradativamente diminui, até cessar por completo. Nos vídeos abaixo há exemplos audíveis desses efeitos.

Quetzal

O nome “quetzal” é derivado da palavra náuatle, ou asteca, quetzalli, significa “pena de cauda grande e brilhante”. O nome científico Pharomachrus vem do grego pharos (“manto”) e makros (“longo”), o que descreve muito bem à plumagem da cauda e asas do quetzal.

The Mayan advanced acoustical engineering.  Part I

The Mayan advanced acoustical engineering.  Part II

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