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Linguagem e Design

A arte é produzida neste início de século sem a direção dos históricos movimentos de vanguarda. Além disso, está popularizada pelos meios de comunicação de massa e modificada devido às descobertas científicas e às inovações tecnológicas. Essa maximização dos domínios da arte trouxe conseqüências para a linguagem, que foi diversificada exponencialmente ao passo que se hibridizou dando vida a diversos formatos – cinema, história em quadrinhos, cyber arte, poema visual. A interposição dos estilos de linguagem permitiu a ampliação dos domínios da criação artística, tanto que o artista passou a flutuar entre as dimensões da arquitetura, da comunicação publicitária, do marketing, do Design… Entendendo o Design como uma atividade que trama processos e linguagens conectando a criatividade do artista com a criatividade do projetista, percebemos que a intersecção das competências profissionais forma trabalhadores super-genéricos ou estritamente específicos que flutuam entre o Design Gráfico e o Design de produto, por exemplo, designer de jóias, designer fashion, web designer – o que dificulta sua representatividade no Brasil.

O Design é uma ferramenta de fundamental importância para a conciliação das necessidades humanas com as premissas do mercado, portanto, para que haja esse entendimento é necessário que designers movimentem o universo formado pelos objetos, signos e pelos hábitos sociais, a fim de que possam captar o reflexo das atividades humanas através da linguagem, para que sejam elaboradas maneiras de interferir na realidade cultural dos juízos.

Concordando que a arte é o meio de expressão que sintetiza os sentimentos e a história dos homens, e que o Design emprega os elementos da base artística (cor, textura, volume, movimento, palavra, som, etc.) nas interfaces que manipula para o usuário, entendo que nas obras de arte existe uma idéia implícita que pode ser aperfeiçoada e adaptada à finalidade que convier. Isso quer dizer que os produtos da arte servem para indústria e que os produtos industrializados servem para arte de forma intrínseca.

O Design cria ligações covalentes entre a arte e a indústria para que o usuário seja inserido nesse processo de re-significação que transforma a realidade social. Ao pensarmos na força coerciva do processo de re-significação da realidade social, percebemos que o usuário também pode estar limitado pela passividade consumista que a hiper-oferta lhe impõe. Logo, a atividade do Design é responsável pelos aspectos positivos do desenvolvimento simbólico, estético e funcional do sistema dos objetos-signo, assim como é responsável pelos aspectos negativos do materialismo manifestado pela superficialidade das relações de consumo.

Sendo assim, o usuário vive um paradoxo comportamental que oscila do materialismo acumulativo para o consumismo extremista. Uma vez que abandonamos as tradições de outrora para exercer uma liberdade precária, superficialmente representativa e passageira, o realismo materialista alimenta o ímpeto individualista que se evidencia nas sociedades modernas.

A confusa relação da indústria com o usuário, nos conformes da formação de mercados consumidores, acaba sugerindo a aplicação exclusiva do Design no plano econômico, o que resulta em uma produção efêmera. O descaso com o processo criativo é o reflexo mais comum dessa produção desenfreada e injustificada.

Embora o Design contribua em parte para essa realidade hostil, sendo inclusive utilizado como sinônimo de sofisticação e inovação pela publicidade, ele não está limitado à elaboração de projetos irrelevantes e vagos. Quando o Design se propõe a trabalhar as relações da linguagem com interface, vemos que o Design está mais para o bom emprego da linguagem do que para a criação divina de algum artefato. 

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