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Imersos em Tecnologias Parte 2/2

No entanto, o percurso tecnológico atual remete a um passado de máquinas colossais que surgiram na metade do século XX. A necessidade de máquinas complexas em suas funcionalidades técnicas e com capacidade de processamento mais velozes se tornaria urgente, a partir da década de 1940, impulsionados pelo maior conflito já presenciado pela humanidade: a Segunda Guerra Mundial. 

Nessa época havia a necessidade da Grã-Bretanha em interceptar e decifrar dados enviados por mensagens de rádio enviadas pela Alemanha nazista, a fim de impedir missões de destruição eminentes. Porém, para interpretar os códigos era necessário possuir ao menos um documento para servir como chave. Em 1941, próximo às ilhas norueguesas do Círculo Polar Ártico, foi possível obter esse documento, após ataque realizado a uma embarcação de pesca armada Alemã, (BLAINEY, 2008). Impulsionados por essa intenção e intervenção militar, os cientistas Alan Turing e Max Newman foram impelidos a materializarem uma máquina computadora de informações, o que faz dessa criação a percussora das ferramentas tecnológicas atuais.

“O colega de Alan Turing, um jovem matemático chamado Max Newman, ajudou, em absoluto segredo, a construir um computador digital eletrônico que, terminado em dezembro de 1943, classificava informações de modo relativamente rápido. Com 1,5 mil válvulas eletrônicas, era tão grande que fez jus ao nome que recebeu: Colossus. Era capaz de analisar 25 mil caracteres por segundo, velocidade que permitia aos britânicos decifrar as mensagens alemãs e assim descobrir os paradeiros e planos de ataque dos submarinos inimigos que dominavam o Oceano Atlântico”. (BLAINEY, 2008, p. 233).

Posteriormente, com o invento do transistor e o desenvolvimento do microchip no final da década de 1940, a miniaturização da tecnologia tornou-se possível e a partir da década de 1960 permitiu o desenvolvimento de ferramentas eletrônicas e digitais cada vez menores, mais portáteis e com maior potência, (BLAINEY, 2008).

“O transístor, inventado em 1947 na empresa Bell Laboratories em Murray Hill, no estado de Nova Jersey, pelos físicos Bardeen, Brattain e Shockley (ganhadores do Prêmio Nobel pela descoberta), possibilitou o processamento de impulsos eléctricos em velocidade rápida e em modo binário de interrupção e amplificação, permitindo a codificação da lógica e da comunicação com e entre as máquinas: esses dispositivos têm o nome de semicondutores, mas as pessoas costumam chamá-los de chips (na verdade, agora constituídos de milhões de transístores)”. (CASTELLS, 2005, p.76)

As tecnologias de informação de comunicação são as últimas das tecnologias a se difundir na sociedade, fato em contínua expansão. O acesso à rede mundial de computadores, ou Internet, associada a esses dispositivos eletrônicos, faz com que estejamos vivendo o momento assinalado como Era da Informação devido ao aceso a esses dispositivos serem comuns nos cinco continentes, entre diversas classes sociais, bem como crianças, jovens, adultos e idosos do mundo todo, ao exemplo dos computadores pessoais, os telefones móveis, e os recentes tablets (um dispositivo digital no formato de prancheta).

“Estamos, sem dúvida, entrando numa revolução da informação e da comunicação sem precedentes que vem sendo chamada de revolução digital. O aspecto mais espetacular da era digital está no poder dos dígitos para tratar toda informação, som, imagem, vídeo, texto, programas informáticos, com a mesma linguagem universal, uma espécie de esperanto das máquinas. Graças à digitalização e compressão dos dados, todo e qualquer tipo de signo pode ser recebido, estocado tratado e difundido via computador. Aliada à telecomunicação, a informática permite que esses dados cruzem oceanos, continentes, hemisférios, conectando potencialmente qualquer ser humano no globo numa mesma rede gigantesca de transmissão e acesso que vem sendo chamada de ciberespaço”. (SANTAELLA, 2004, p.70-71)

Marshal McLuhan cunhou o termo ‘aldeia global’, (MCLUHAN, 1962), para descrever um mundo no qual seria possível se informar em tempo real sobre acontecimentos realizados há milhares de quilômetros de distância, assim como é possível ser informado rapidamente sobre um fato quando se vive em uma pequena aldeia, ou vila.

“O nosso mundo está em processo de transformação estrutural desde há duas décadas. É um processo multidimensional, mas está associado à emergência de um novo paradigma tecnológico, baseado nas tecnologias de comunicação e informação, que começaram a tomar forma nos anos 60 e que se difundiram de forma desigual por todo o mundo. Nós sabemos que a tecnologia não determina a sociedade: é a sociedade. A sociedade é que dá forma à tecnologia de acordo com as necessidades, valores e interesses das pessoas que utilizam as tecnologias. Além disso, as tecnologias de comunicação e informação são particularmente sensíveis aos efeitos dos usos sociais da própria tecnologia. A história da Internet fornece-nos amplas evidências de que os utilizadores, particularmente os primeiros milhares, foram, em grande medida, os produtores dessa tecnologia”. (CASTELLS, 2006, p. 17)

Desde a criação do embrião do que se tornou Internet, pela Agência de Pesquisa e Projetos de Defesa Avançados (DARPA), e sendo esta criação a organização da rede de cunho militar descentralizadas, intitulada ARPAnet, em 1966, as consequências da popularização dessa rede mundial para uso civil, no início dos anos 1990, fez com que a Internet tornasse uma ferramenta efetiva na sociedade global.

Segundo as estatísticas realizadas em 31 de dezembro de 2011 pela International World Stats, mais de 2 bilhões de pessoas acessam a Internet em todo o mundo. Isso significa que em média uma a cada cinco pessoas se conectam à rede mundial de computadores, enviam e-mails, se atualizam rapidamente sobre as notícias do mundo todo, realizam chamadas em áudio ou videoconferências, e compartilham textos, imagens, áudios e vídeos praticamente num piscar de olhos. De acordo com o conceito de Marshall McLuhan, reforçados pelas idéias de Lucia Santaella e Manuell Castells, e das experiências empiricamente comprovadas no cotidiano, atualmente já vivemos nessa ‘aldeia global’, e o ciberespaço é a sua morada.

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