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Expurgando a expurgação.

Sempre há música. Mesmo na madrugada, quando o silêncio beira a realidade, é possível ouvir uma “melodia universal”. Experimente fechar o seu canal auditivo por alguns minutos… Você pode ouvir um som agudo, contínuo, que beira o máximo da freqüência audível e, por alguns instantes ele, coexiste do lado de fora e do lado de dentro. Outras melodias surgem à partir dele. A melodia vem e se esvai… Algumas vezes se parecem com coisas que você já ouviu e, outras vezes, novidades que pipocam como se não estivessem vindo da sua cabeça.

A música existe como o embate de duas forças contrárias, criando algo generativo, equilibrando som e silêncio. E assim a música vem a vai, de cabeça em cabeça, se movendo numa proporção gradual. Se você toca algum instrumento (ou já teve a oportunidade de fazê-lo), possivelmente já percebeu que, em determinado momento, a nota, o tempo ou o movimento que será feito, está sendo determinado pelo anterior. Acontece também com quem está ouvindo e por um instante consegue determinar o próximo passo da música.

Tentamos nos agarrar à esse fio rizomático, para ouvir a melodia do universo. Novamente, a música vai e vem e, como uma conversa, a expurgação acontece (nas cabeças dos que tocam e dos que ouvem). Neste momento, a música não tem dono: é o momento em que ela corre livremente por linhas invisíveis (mas não imperceptíveis).

A expurgação é um mergulho rumo à freqüência universal, é “tocar a mente”, antes de qualquer coisa. Conta um amigo que o músico deveria desenvolver mais a capacidade de ouvir a música do que de tocar o instrumento. Assim como Leminski acredita que leitores são tão poetas quanto os que escrevem, há os que ouvem e são tão músicos quanto os que tocam. A expressão só existe através destes. Sejamos então todos nós criadores e que o aprendizado resida na criação. 

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