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Dogger Land

Na costa da Grã-Bretanha estão as evidências iniciais da existência da cidade submersa de Dogger Land, uma enorme porção de terra que hoje encontra-se sob das águas do Mar do Norte.

Os troncos de árvores que se elevam sobre as águas do mar mostram que o caminho da costa leste da Grã-Bretanha levava a um lugar bem diferente. Em referência a história do dilúvio descrito na Bíblia, essa floresta fossilizada recebeu o nome de Noah’s Woods (ou Floresta de Noé).

A Floresta de Noé...

Em 1930, o geólogo e paleobotânico britânico Clement Reid foi o primeiro a produzir um mapa em que a Grã-Bretanha é mostrada não como uma ilha, mas unida ao resto da Europa. Até esse momento eram apenas suposições, e ele chegou a desenhar um mapa onde terras se estendem pelo Mar do Norte, o Canal da Mancha e as Ilhas Canais. Nos últimos dez anos foram realizadas expedições a fim de lançar uma luz sobre esse universo submerso, e os resultados se encaixam com a hipótese de Clement Reid.

Mapa desenhado por Clement Reid em 1930.

Em 2001, arqueólogos da Universidade de Birmingham, em conjunto com um time de climatologistas e geofísicos, estudaram dados obtidos por meio de scanners sísmicos realizados por organizações de mineração de petróleo – que atuam no local desde a década de 1970. Dessa maneira foi possível visualizar e recriar paisagens inteiras que existiram em outro tempo, ao exemplo dos rios, montanhas e vales, garimpados com a utilização da tecnologia gráfica atual.

Rios, montanhas e vales sob as águas do Mar do Norte .

A idéia de investigar rios fossilizados, antes aplicada em estudos sobre outros planetas, ao exemplo de Marte, também se aplica na Terra, mostrando que há todo um novo mundo a ser descoberto pela ciência. Os pesquisadores da Universidade de Birmingham acreditam que a população dessa área pode ter chegado a dezenas de milhares de pessoas, que viviam onde atualmente é o Mar do Norte, entre a Escócia e a Dinamarca.

Dogger Land foi submergida entre 16.000 e 6.500 a.C.

Recentemente, mergulhadores juntos com cientistas da University of St Andrews descobriram evidências que uma grande cidade existiu há 8.500 anos nessa mesma região. As imagens feitas pelos mergulhadores mostram fragmentos de possíveis construções feitas por antigos europeus, adicionando uma parcela enorme de área existente na Europa pré-histórica.

Estruturas trabalhadas evidenciam atividades humanas.

Durante a última era do gelo, há aproximadamente 13.000 anos, geleiras de até 3 kilômetros de altura ocupavam o pólo norte, da Europa até a América do Norte. Com isso, áreas costeiras que hoje estão inundadas, eram secas, e Dogger Land seria um cenário onde prosperava todo um ecossistema, ao exemplo da coexistência de humanos e mamutes. Os fenômenos das mudanças nos níveis dos mares e os impactos desses fenômenos da dinâmica nas ocupações humanas, começaram a ser entendidos por volta um século atrás quando Clemente Reid redescobriu a “Floresta de Noé”…

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