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Diário de um transfer

Com a aprovação do edital de finalização pela Secretaria de Cultura do Espírito Santo, foi possível concluir a fase de pesquisa fotográfica do curta-metragem “UMA” através de sua finalização em película 35mm.

Este processo percorreu as etapas de correção de cor, confecção de negativo, revisão de som e print master sonoro, revelação do negativo e telecinagem.

Esse final de pesquisa consistia em observar como a versão digital original, passando por um transfer 35mm e depois telecinado para digital de novo, se diferenciavam e quais características essa transformação trazia para a nova versão digital. É possível trazer para a nova matriz digital elementos da película que antes não haviam? Grãos? Saturação? Existe alguma perda de qualidade na imagem?

Durante o mês de dezembro de 2012, fui à São Paulo e acompanhei as etapas iniciais de input do material e correção de cor, na Teleimage com José Augusto de Blasiis, e foi feita a revisão de som em um auditório Dolby na empresa JLS Facilidades Sonoras com José Luis Sasso. Ainda nesse mês fui a Cinecolor do Brasil, ver um copião (um pequeno trecho do filme já revelado para teste).

Já em fevereiro de 2013, retornei para participar das etapas de telecinagem, gravação do print master sonoro e assistir a cópia revelada na Cinecolor Brasil. Com estas etapas concluídas, foi possível retornar a Vitória com o filme pronto em película 35mm e a nova versão digital telecinada.

Estamos passando por um momento que empresas confeccionadoras de película, como a Kodak, demonstram sinais de fraqueza. O preço das latas aumentaram cerca de 20%. A necessidade de se fazer um trabalho usando esses recursos estão realmente definhando, dando lugar a soluções digitais mais dinâmicas. As pessoas deixam de ter a necessidade de fazer uma cópia 35mm, já que podem exibir em 4k por um sistema digital como o DCP (Digital Cinema Package). Apesar de haver inúmeros relatos de problemas com o som no DCP, provavelmente ele se estabelecerá fortemente como novo padrão para exibição em diversas salas e festivais.

O digital tem permitido mais acesso a tecnologias, aumentando a gama de produções independentes, pesquisas e possibilidades de uso. Os festivais independentes têm crescido também com isso, possibilitando exibições com poucos recursos, porém sofrem com a falta de padrão em meio a uma grande variedade de formatos.

Foram duas semanas de trabalho ao todo, em que pude trabalhar com três profissionais de empresas distintas. Pude contar com a opinião deles e vislumbrar um momento claro de mudanças com a revolução digital, pois não é comum um filme que já tem uma matriz digital passar por essa “redigitalização”.

No resultado foi notório o acréscimo de grãos, orgânicos e finos. O branco deixou de ser um grupo chapado de pixels brancos. Por outro lado houve uma leve perda na definição da imagem, mas as linhas se tornaram mais suaves. Isso acontece em qualquer processo de geração de imagem a partir de outra. É natural ao passar por essa transformação contar com uma perda de informação, porém, a imagem ganha outros atributos cinematográficos. Os moirés por exemplo ficaram mais amenos e pode-se perceber também um crop na imagem, dado a diferença de geometria das plataformas usadas pra projetar o filme e escanear.

Em relação ao som, o filme telecinado conta com uma versão em estéreo e uma surround 5.1. Já a película pode ser exibida com som digital 5.1, som óptico analógico em 4.0 (no qual o surround é mono), e Dolby Stereo Lt&Rt. Foi interessante observar que o espectro audível do som óptico é levemente menor que o digital. É como se no filme houvesse um equalizador natural atuando nas frequências altas pelo limite material da película de filme. A diferença é bem sutil. O maior ponto positivo é ter a possibilidade de exibir o som de diferentes maneiras através do som óptico analógico gravado no filme em salas Dolby.

No final das contas, foi importante passar por esse processo que sempre me soou tão distante, caro e elitizado. Entrar com um filme experimental que é um bolo de bitolas – super 8mm, 16mm, digital com 5D e filmadoras compactas – e sair com tudo transformado em 35mm, foi um grande aprendizado sobre a dimensão analógica e digital em ambas as linguagens: visual e sonora.

Agora o filme passa para uma próxima etapa de distribuição em festivais nacionais e internacionais: em 35mm e também digital telecinada. O filme também está disponível no site Porta Curtas, lá você pode assistir e comentar clicando aqui!

Outras informações:

Prêmios:
- VITORIA CINE VIDEO – Prêmio Inovação e Novas Linguagens (2011)
- VITORIA CINE VIDEO – Melhor Curta-Metragem Capixaba” concedido pela CiaRio (2011)
- ABD CAPIXABA – Prêmio “Porta Curta” Melhor Curta-Metragem (2011)
- 4º Festival de Cinema Curta Amazônia – Melhor Filme brasileiro de Curta-Metragem – Categoria EXPERIMENTAL (2013)

Sinopse em Português:
O documentário foi sendo construído tomando como base o conceito de sincronicidade de Carl Gustav Jung, com cenas que sugerem elementos que se repetem em diversos lugares, ou simplesmente se conectam por semelhança de padrões, e assim compõem uma unidade conjunta de informações visuais. Assim, o filme sustenta uma ideia de unidade universal, de um todo comum, da Terra como organismo vivo, e nós como parte fundamental dessa jornada coletiva de ações, por meio de imagens que se relacionam visualmente durante todo o curta.

Sinopse em Inglês:
The film propose a sense of universal unity, a common whole, the Earth as a living organism, and human as a fundamental part of this journey of collective actions, through images that are visually correlated during the short. The documentary was built on Carl Gustav Jung’s concept of synchronicity. The scenes suggest repeated elements in different places, fractals, connections through pattern matching, making up a joint unit of visual information.

Ficha técnica:
direção ALEXANDRE BARCELOS
produção LORENA LOUZADA
assistente de produção LEONARDO PRATA
diálogo RAPHAEL GASPAR E ZULMARIO TEBALDI
pesquisa e roteiro FELIPE MATTAR, HUEMERSON LEAL, IVAN CONSENZA, RAPHAEL GASPAR E WERLLEN CASTRO
fotografia ALEXANDRE BARCELOS, FRANCISCO NETO, TIAGO ROSSMANN, REINALDO GUEDES
imagens de apoio LABORATORIO DE PROTEOMICA E GENOMICA – UNICAMP E EQUIPE GOA – UFES
edição ALEXANDRE BARCELOS, FELIPE MATTAR E REINALDO GUEDES
captação de som ARTHUR NAVARRO E HUEMERSON LEAL
trilha sonora AERIAL_MOBYGRATIS.COM, EXPURGACAO E GIULIANO DE LANDA
mixagem ALEXANDRE BARCELOS, ARTHUR NAVARRO E DENILSON CAMPOS.
produção executiva LORENA LOUZADA
projeto gráfico FRANCISCO NETO, GUSTAVO SENNA, RAPHAEL GASPAR E WERLLEN CASTRO.

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