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Da pré produção para a exposição do projeto Últimos Refúgios no Festival Espírito Paris

Durante toda a semana as atividades de produção para exposição do projeto Últimos Refúgios estão ocorrendo freneticamente. Nada do sossego que o mestre Tim Maia queria para nós está acontecendo nesta residência artística aqui no Le 6B em Saint-Denis.

Trabalho bruto tem tomado conta da semana. Uma das primeiras etapas da pré produção foi a escolha do local onde a instalação seria montada.

As opções seriam ou dentro do prédio do Le 6B, que fecha as portas a partir das dez da noite, ou num lugar fora do prédio. A segunda opção foi a escolhida, pois permitiria um maior trânsito entre os visitantes. Reinaldo Guedes e Huemerson Leal, já na terça desta semana assumiram a missão de dar uma geral sinistra no espaço escolhido para a exposição, promovendo a limpeza do local que parecia não estar sendo usado a um bom tempo.

Na quarta outra missão: a compra dos materiais necessários para a produção da expo. Francisco Neto, eu, Leal e Reinaldo partimos em busca de uma loja de material de construção, para a procura dos materiais necessários para a exposição do projeto Últimos Refúgios. Suporte para as fotos, tinta, barbante, prego, rolo pra pintar, suporte para preparação da tinta dentre outros materiais. Como o custo dos materiais propostos inicialmente acabaria saindo muito caro, a troca de alguns materiais foi sendo feita ou deixada de lado, como a troca do eucatex (madeira), pelo isopor para o suporte das fotos.

Enquanto isso, outros membros do coletivo, como Arthur Navarro, continuaram os contatos com Alain Parmentier, residente do Le 6B e que constrói seus próprios amplificadores, que nas palavras dele se tratam de um “multichannel acoustic systems”. Segundo Arthur “desde o primeiro dia em que chegamos no Le 6B, Timothy nos apresentou a Alain e nos levou a seu ateliêr, o que deixou todos de cara com seu trabalho”. Alain Parmentier está colaborando com seu sistema de som para a exposição do Instituto Últimos Refúgios, que visa reproduzir o áudio capturado nos trabalhos de campo desenvolvidos pelo projeto, no intuito de criar no ambiente uma atmosfera sonora mais próxima possível dos estímulos sensoriais vividos quanto se está imerso em uma área de preservação ambiental.

Na quinta foi a vez de Huemerson Leal e Reinaldo Guedes deceparem mais um dia de montagem da exposição, procurando simular um ambiente de pequena trilhas e caminhos com mato seco e galhos para levar o visitante da exposição para um espaço que tenta recriar o ambiente original de onde as fotos foram tiradas. Enquanto isso, nas instalações do Le 6B, Wérllen Castro trabalha na produção do cartaz para divulgação. Uma das primeiras preocupações do designer foi a questão do nome da exposição. Por estamos na França a melhor opção para divulgação da expo foi criar um nome na língua local, e criar um texto em português para também ser traduzido para francês com ajuda de um colaborador daqui.

Para a missão da tradução, que é um tanto delicada, foi criado um texto pelo mestre Diego Brotas o qual foi traduzido pelo artista plástico e doutorando Miro Soares, que mora em Paris. Após esse processo, Arthur Navarro procurou Séverine Sauvignac e Clément Vergé que, com muita paciência contribuiram para a finalização da tradução que pudesse expor na língua francesa a proposta de nosso projeto aqui no Le 6B para o evento da Fabrique à Rêves incluídos na programação do Festival Espírito Paris.

Após uma série de conversas entre os expurgadores de plantão, ficou a sugestão do nome da exposição promovida pelo coletivo Expurgação por meio do projeto Últimos Refúgios se chamar: “Le sens inverse”. Segundo Yuri Salvador, “a ideia do nome Le sens inverse surgiu através de uma reflexão do sentido do caminho que estava sendo realizado em cerca de três anos de produção do documentário e das fotos para este projeto: isto é, o caminho da cidade até os resquícios florestais encontrados na vila de Itaúnas, no município de Conceição da Barra, ao norte do estado do Espírito Santo. Agora, realiza-se o caminho oposto, a saber, trazer aos olhos dos habitantes urbanos imagens de um cenário natural que vem sido brutalmente violentado pela ação humana no decorrer dos tempos”.

De quinta para sexta, outra atividade interessante desenvolvida para esta exposição, foram as pinturas de Huemersol Leal, Reinaldo Guedes, Francisco Neto e Clément Vergé para a decoração do ambiente. Nesta empreitada foram utilizadas projeções das imagens captadas nos trabalhos de campo do projeto Últimos Refúgios, como uma referência de traço na parede, em que foram feitos contornos iniciais na base do carvão, para que os desenhos pudessem ser continuados. Sempre com a intenção de ilustrar algo da diversidade de animais mapeados na pesquisa fotográfica de Leonardo Merçon no projeto Últimos Refúgios. O uso do carvão foi escolhido pois representa um resquício de nossa flora, isto é, um material que nos remete à degradação do meio ambiente. A exposição Le Sens Inverse está quase finalizada e o coletivo Expurgação está totalmente engajado para que tudo corra bem. Salut!

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