Blog

Ilustração: Aline Paes

Macaco médio do design, já tinha me formado há 2, e há 4 anos não ia a um encontro de estudantes.Tinha perdido o interesse, mas aproveitei a oportunidade pra fazer um workshop sobre Time-Lapse no evento e voltar a ter contato com velhos e pra fazer novos amigos.

Foi nesse contexto que conheci a Aline Paes. Pessoa simpática, simples, não tava muito afim de festas. Gostava mesmo era das bandas e dos sons alternativos, e principalmente de desenhar. Desenhava, desenhava, desenhava, passava horas, noites com seu caderninho.

Seu trabalho de ilustração envolve não só desenho, mas também colagens, num mix interessante entre padrões, texturas, grafismos que só aqueles que tem uma verdadeira dedicação sobre o desenho conseguem imergir e passar horas fazendo.

Você tem se aventurado no mercado de trabalho? Como tem sido essa experiência? Seu trabalho ta sendo absorvido?

Tenho feito alguns trabalhos como freelancer, ilustrações editoriais (que é a área que mais me interessa), estou terminando a segunda capa de disco de banda independente brasileira (a próxima será para um hermano chileno), e tenho um projeto em andamento com outra banda. Vendo meus trabalhos através de uma galeria virtual, a Urban Arts, por enquanto só posters.

Fiz também alguns trabalhos na área do design gráfico, que reflete minha formação em andamento nessa mesma área, logotipos, diagramações, coisas assim. Estou me preparando para uma possível mudança para Porto Alegre, pois integro um projeto de nome Maldito Ofício que está em fase de implementação por lá, antes da 2ª quinzena de Maio é possível que esteja tudo pronto. Inclusive, preparo nesse momento uma exposição na mesma cidade, pela Maldito (que será a minha quinta, mas primeira individual), na primeira semana de Julho.

ponto (aline paes)

Ainda estou me acostumando em relação à aceitação da ilustração analógica (que é o que eu faço), no meio da praticidade e agilidade da ilustração digital, e abro mão do lápis e papel, (e da falta do ctrl+Z), mas já estou trabalhando em minha relação com a tablet, logo menos a gente vai se entender de verdade.

Você ainda pretende ser designer?

Engraçado é que, eu nunca pensei em ser designer, não tinha parado pra cogitar essa possiblidade, exceto em relação ao design editorial (leia-se livros). Se tudo der certo, um dia ainda trabalho em alguma editora. Por uma ironia do destino, acabei entrando no curso de design mas, sinceramente, ainda penso se termino ou não. Não é muito minha praia, é tudo muito digital, vetorizado, “perfeito” demais. Eu gosto do erro. Mas ainda não sei, mesmo.

Quais são suas influências?

Eu tenho um mestre, que não existe mais, o Gustav Klimt, foi por causa dele que comecei a trabalhar com padrões. Minhas influências sempre foram mais das artes plásticas, estudava muita história da arte pro vestibular, então sempre pirei muito no movimentos modernistas, principalmente nos artistas do Art Nouveau, nos da Secessão de Viena (o próprio Klimt e seu amigo Egon Schiele), o Modigliani, o Toulouse Lautrec, entre outros.

Klimt, Gustav (aline paes)

Hoje tenho outras influências bem vivas, ligadas mais à ilustração mesmo, seja influência de traço ou frenesi na produção (risos). Cito o Whip, que foi meu professor e me ensinou muito em relação ao estudo de cores (que tinha um pouco de dificuldade), e outros materiais com os quais não tinha muito contato (aquarela e guache), o Zé Otávio, o Montalvo Machado, o Jorge Catoni (artista chileno), o Stephan Doitschinoff (conhecido como “Calma”), entre outros.

O ano que morei em São Paulo foi decisivo em relação às influências na ilustração, absorvi bastante daquela atmosfera “desenhística” que rolava a cada Bistecão Ilustrado, sem dúvida, foi essencial para eu me aventurar mais nas experimentações com materiais e traços.

Conte-nos um pouco sobre o seu processo…

No começo era tudo muito “simples”. Desenhava só com linhas, muitas vezes eu construía os personagens com as texturas, mas ainda usava a linha de contorno. Pra não dizer que não usava nada digital, depois de finalizar o desenho (que fazia, geralmente, com caneta bic mesmo).

Depois passei a usar a mesma construção do desenho com textura, mas sem as linhas de contorno, até o momento em que entrei no curso de Ilustração da Quanta. Aí eu passei a usar materiais com os quais não tinha lá muito contato, ou usava de modo errado (aquarela e guache), mas sempre dava um jeito de encaixar as texturas no desenho, é quase um vício. Mas, antes de entrar lá, eu não me aventurava muito nos experimentos e nos estudos, só fazia o desenho e pronto.

experimentação (aline paes)

Ainda estudo a aquarela, principalmente, é o material que mais me agrada, depois dos marcadores e canetas de ponta porosa (e do lápis grafite, claro). Deixei um pouco as canetas coloridas de lado e tenho estudado a composição dos retratos e outros elementos com tinta mesmo e outros materiais, como a caneta Posca. Estou tentando ignorar um pouco o vício pelas texturas e estudar de verdade o que precisa ser estudado, tentando e conseguindo, por enquanto.

Contato:
alinepaesilustracao@gmail.com

Quero receber mais informações do coletivo

Creative Commons License by-nc-nd Expurgação 2007-2015