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A imagem artística

“A imagem avança para o infinito, e leva ao absoluto” (Tarkovski¹)

A ideia de um retrato falado (ou escrito) da imagem artística é uma tarefa de conectar diferentes universos. A linguagem, por mais complexa que seja, não consegue reproduzir a imagem. As palavras não desenham ou capturam a luz, muitas vezes suscitam imagens em lampejos inspirados na vida que ficou para trás, enquanto a imagem é indivisível e inapreensível. Assim como você nunca atravessa o mesmo rio duas vezes, você nunca enxerga a mesma foto duas vezes, “a imagem depende da nossa consciência e do mundo real que tenta corporificar” (Tarkovski),  a fotografia pode continuar a mesma, mas o observador não, incapaz de perceber o universo em sua totalidade seu recorte será constantemente refeito, ainda que procure pela mesma coisa, sempre esbarrará em algo diferente.

A imagem não é um certo significado expressado, mas sim uma compreensão do mundo refletida na íris. Ainda que presa ao concreto e físico ela é misteriosamente lançada para além da matéria, por caminhos que chegam ao espírito. É esse misterioso transcender que faz Mutarelli² investigar a ideia de que mesmo a fotografia sendo mais realista, um desenho pode capturar mais a realidade.

¹ – Tarkovski, Andrei. Esculpir o tempo.

² – Mutarelli, Lourenço. A caixa de areia. 

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