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A cidade secreta

As cidades dos fluxos padrozinados encontram, cedo ou tarde, gargalos onde qualquer tentativa de liberdade torna-se cerceada pelo condicionamento, seja da rotina, dos caminhos ou do espaço.  

Nessas zonas de desconforto, sonhos desaparecem ou transformam-se em pesadelos, a tensão toma conta da atmosfera e o mundo se reduz a muito pouco, quase perde o sentido. Os esperados encontros, parecem cada vez mais com esbarrões, as violências querem entrar em cena. As janelas dos veículos mostram um mundo em que a sua condição de “engarrafado” é revoltante.

Propaganda enganosa

A propaganda de liberdade e velocidade que atrai consumidores de automóveis desde a infância deveria revoltar qualquer um que vive na cidade, elas nunca exibem outros carros. Chegam ao absurdo de vender uma cidade sem trânsito, como se você fosse o único motorista do pedaço ou, o único besta que acredita nessa história. As máscaras dos automóveis estão cada vez mais insustentáveis, as exigências por uma nova maneira de viver, se movimentar e de ocupar o espaço colidem em cheio com essa questão.

Ecologia da mente

As sensações que regem esses espaços e momentos produzem significativos danos na ecologia da nossa mente. As vezes só de saber que você passará por uma tal rua ou que você terá que sair naquele horário tumultuado já é motivo suficiente para uma significativa mudança no seu humor e temperamento. Aqueles trajetos não existem apenas como espaços urbanos, mas também como um território poluído e angustiante das nossas mentes. Esse tipo de compreensão nos leva a crer da necessidade de uma sustentabilidade do espírito, onde os espaços produzam sensações harmoniosas ao invés de dilacerantes. Uma dicotomia entre campo vs. cidade empobreceu a tentativa de transformar as cidades através de um lógica que não fosse a do capital.  Essa cidade oficial, dos mapas e concreto,  também existe espiritualmente e em qualquer plano analisado ela está recheada de segredos e esconderijos.

A cidade secreta

Ela existe e está no meio de nós, são os territórios esquecidos, pouco povoados, aqueles que “pertencem” sem ser posse, são as trilhas estreitas, o lugares onde você vê a cidade inteira, mas ninguém te observa, principalmente escondidos daqueles que “vendem” ou controlam o espaço. A cidade secreta são territórios onde o encontro é um resultado espacial de liberdades, não a colisão de frustrações. Ela não esta mapeada, as pessoas soterradas pelo cotidiano cíclico a conhecem, mas não sabem como chegar lá, ou não sabem como fugir do ciclo opressor da rotina. Esses espaços encantam e são encantados, uma vez que você abre sua porta é muito difícil fechá-la.

Cada cidade escreve um nome, você consegue ler?

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