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5ª Expedição Rebio 2Bocas

Numa sexta-feira (06/07), alguns dias antes da quinta expedição ser iniciada a equipe do Projeto Últimos foi à Reserva Biológica Duas Bocas (Rebio 2Bocas) para montar os pontos de ceva, colocando comida para os animais e câmeras de monitoramento.

Muito sol e calor com pancadas de chuva na parte da tarde. Preparamos 8 postos de ceva monitorados por câmeras esperando que, durante dois dias, os animais fossem atraídos e registrados. Abandonar temporariamente os postos de ceva contribui para o reaparecimento de animais, já que o nosso odor desaparece na floresta aumentando as chances de um animal frequentar o local novamente.

A expedição começou oficialmente no domingo (08/07), com imediata verificação dos postos de ceva. Choveu muito até o domingo, fato que acelerou o apodrecimento das frutas e das carnes. Apesar disso, tivemos ótimos resultados!

Mapa dos postos de ceva

Posto 1- Em frente à ilha da onça; registrou paca e macaco-prego.

Posto 2- Jaqueira carnívora; jaguatirica com filhote apareceu após 2 dias, mas não comeu.

Posto 3- Jaqueira herbívora; registrou cutia, gambá e paca.

Posto 4- Margem da lontra; água atrapalhou confundindo o sensor.

Posto 5- Trilha da represa velha; registrou paca e cuíca.

Posto 6- Rio do highlander carnívoro; a câmera pegou sol e deu erro no cartão de memória.

Posto 7- Rio do highlander herbívoro; registrou macaco-prego.

Posto 8- Sertão velho do caitetu; registrou a paca.

No final da tarde houve tempo para instalar a PFN (parafernalha fotográfica noturna) no ponto de ceva da jaqueira carnívora. Um gambá apareceu, mas o equipamento não funcionou. Assim, consertamos o equipamento ainda durante a noite resolvendo um mau contato no fio do disparador manual da máquina fotográfica.

Pegadas da Onça Parda (Pau-Amarelo)

Na segunda-feira (09/07) verificamos novamente as armadilhas fotográficas nos 8 pontos de ceva. No caminho conseguimos imagens de um pequeno lagarto no tronco da árvore. Infelizmente dessa vez não fizemos os registros da jaguatirica. Já na sede da Reserva, Seu Mário, guarda parque da Rebio 2Bocas passou a informação de que uma onça havia atacado uma carneiro na região do Pau-amarelo. Fomos imediatamente até o local do ocorrido. Mais de uma hora depois chegamos ao local.

Encontramos com um morador chamado Paulo que nos levou até o animal abatido no mato. Ele se surpreendeu novamente pois, segundo ele, o carneiro estava quase completamente devorado, ou seja, a onça havia voltado para se alimentar (o ataque ocorreu na madrugada do dia 07/07). O carneiro foi comido da traseira para a dianteira, de modo que só sobraram as pernas, a cabeça e o couro. Nesse sentido, supomos que se tratava de uma onça parda, e não uma onça pintada, que come a caça no sentido inverso, da cabeça para a traseira.

Carneiro abatido e devorado pela onça parda

Investigando a situação, descobrimos que o cercado onde estava o carneiro possui cerca elétrica, mas como uma árvore havia caído em cima da cerca desativando a eletricidade, a onça aproveitou o momento para atacar. Algum tempo antes a onça já havia abatido outro carneiro na mesma propriedade, mas não conseguiu retirá-lo do cercado, visto que a cerca estava funcionando. Porém dessa vez, a onça saltou a cerca com o animal com cerca de 30Kg na boca, depois o arrastou por 40 metros morro acima. Preparamos o equipamento de monitoramento e aguardamos até a meia-noite, mas nada apareceu. Como imaginamos, a onça parda comeu demais. Segundo pesquisas, a onça fica até dois dias sem procurar alimento quando se alimenta assim.

Na manhã da terça-feira (10/07) verificamos as armadilhas fotográficas nos 8 pontos de ceva. Gambás, cuícas e pacas foram registrados. Na ceva da jaqueira captamos um gavião pombo, mas as jaguatiricas não visitaram a ceva.

Cachorro visita carcaça

Na parte da tarde fomos para Pau-amarelo monitorar novamente a carcaça que a onça havia deixado. Na câmera Trap de monitoramento que havíamos deixado no local registrou um cachorro doméstico mexendo na carcaça. Ficamos monitorando até a madrugada, mas nada apareceu. O aparecimento de cães faz nossa chance diminuir.

Quarta-feira (11/07) de manhã verificamos novamente as armadilhas fotográficas nos 8 pontos de ceva. Dessa vez apenas gambás e macacos-prego apareceram, além de Tecedeiras, pequenos pássaros que voavam juntos, cantando e se embolando uns com os outros. Dessa forma, à tarde fomos mais uma vez para Pau-amarelo monitorar a carcaça deixada pela onça. O registro do felino se tornava cada vez mais difícil devido a influência de pessoas e cães no local da carcaça. Mesmo assim, tentamos novamente, sem sucesso.

Quinta-feira (12/07) foi o último dia da quinta expedição que ficou quase exclusivamente em função do registro da onça parda em alta resolução. Checamos as câmeras Trap que revelaram cutias e gambás. Encerramos a expedição monitorando a ceva da jaqueira herbívora, próximo de onde a jaguatirica apareceu.

Por fim, o complexo do projeto permitiu a montagem de um mapa com os respectivos pontos de visualização dos animais mais difíceis de serem fotografados.

Mapa Rebio 2Bocas, fauna

Voltamos contentes com as imagens e informações colhidas durante essa quinta expedição, já pensando como seria a sexta expedição.

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